Uberaba, 12 de outubro de 2010
Querido Mateus,
Na atual situação em que nos encontramos, acredito que não seja muito apropriado referir-me a você como "querido", mas vou fazê-lo por força do hábito e que, por bem ou por mal, você ainda me é bem quisto.
Dizem que pra tudo existe uma razão. Demorei tanto pra dar continuidade a esse projeto e olha pra quem é minha carta agora. Só por curiosidade, você sequer estava na lista de destinatários que eu fiz há algum tempo, mas agora está. E essa carta não poderia ser entregue a alguém mais apropriado num momento tão oportuno quanto esse. Vai ver é por isso que tive a ideia de voltar a escrever agora e acabei constatando que a próxima carta seria exatamente a sua.
Enfim. Posso dizer que não faço a mínima, a MÍNIMA ideia do porquê de termos nos afastado. A única coisa de que tenho imaculada certeza é de que a culpa não foi minha. Foi tão estranho que fica até difícil explicar. Antes das férias, estávamos bem, dentro da nossa dita normalidade, entre tapas e beijos. Depois das férias, você volta completamente mudado. Ainda assim, eu tentei. "A gente nunca deve desistir das pessoas". Foi o que eu fiz: não desisti. Tentei mais uma vez. E você sempre com suas respostas lacônicas, descarado desinteresse e frieza. Você dizia que eu reclamava demais. Notou que eu parei de reclamar? Pois parei. Também notou que há quase dois meses nós não trocamos sequer um "bom dia"? Disso já não tenho tanta certeza.
Digo-te que quem sai perdendo é você. É óbvio que eu não estou pulando de felicidade, afinal sempre te considerei meu amigo e te amo como tal, mas você perdeu muito mais que eu, posso te garantir. Por dois motivos: porque tenho quase certeza de que você jamais irá encontrar, novamente, alguém que lhe seja tão devotado quanto eu fui e porque você não perdeu só a mim. Perdeu outra pessoa que, essa sim, tenho certeza absoluta, significava demais pra você.
Você transmite essa imagem grandiosa de independência, frieza, "tanto faz", blasé, mas, olha, você não é nada disso. Só te falta maturidade. Quanto a isso, não há Natan no mundo que vai conseguir te ensinar, só o Tempo. Pena que até lá já vai ter sido tarde demais, não é? Paciência. Paciência é uma virtude.
Atenciosamente
Natan