7 de ago. de 2010

Dia 13 - Alguém que você queria que te perdoasse

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(Carta devolvida - destinatário não encontrado)
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Dia 12 - A pessoa que você mais odeia / mais te causou sofrimento

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Vide Carta 7.
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Dia 11 - Uma pessoa falecida com quem você queria conversar

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Uberaba, 05 de agosto de 2010

Pai,

Em dezessete anos de vida, acho que essa é a primeira vez que “nos falamos”, hã? Seria cômico se não fosse trágico, ouso dizer.

Às vezes eu fico pensando: por que será que você teve que ir embora tão cedo? A gente sempre tenta acreditar que pra tudo tem uma explicação, um motivo, essas coisas, mas isso eu não consigo entender. Por que você, ou o senhor, não está aqui conosco? Sua ida foi tão dolorosa. Embora eu não a tenha sentido, pois era muito novo pra me lembrar com clareza, sei que foi, para todos nós, pois você era uma pessoa muito querida, sei bem.

Ontem eu estava lendo aquele caderninho amarelo que você deixou escrito pra que nós lêssemos. Realmente, você foi uma pessoa muito enigmática. Enigmática e profética. Sei lá, quando minha tia diz que você foi um “espírito de luz”, que não era uma pessoa igual às outras, que tinha uma ligação diferente com Deus e essas coisas... tenho medo de quase acreditar. Não é possível uma pessoa predizer coisas incertas com tanta precisão. Como pode alguém profetizar a própria morte?

Bom, isso não importa. Sei que li aquelas anotações ontem e me emocionei, de certa forma. Também fico feliz por saber que estou seguindo os aconselhamentos que você nos deixou, na medida do possível e do meu alcance.

Às vezes fico pensando... Como seria a nossa relação se você fosse vivo? Minha relação com a minha mãe é de uma amizade imensurável, de acordo com o que você, novamente, já havia dito quando a gravidez inesperada que me gerou surgiu: “Esse menino é quem vai cuidar de você”. Meu irmão já existia, mas você não disse “Você vai ter dois filhos pra cuidar de você”, não. “Esse menino é quem vai cuidar de você”. Que coisa fantástica, pra não dizer espantosa.

Noutras vezes eu acho que até sinto saudade. Não sei se saudade é a palavra mais apropriada, pois eu nem me lembro de você, apenas muito vagamente, e não dá pra sentir saudade de uma coisa assim tão abstrata. Mas falta, sim, você faz. Como já disse, não sei se nos daríamos muito bem, visto que seríamos um tanto diferentes, em vários aspectos. Será que você me expulsaria de casa quando descobrisse que eu sou gay? Ou teria vergonha de mim? Ou eu teria vergonha de você? Ou eu nem seria assim? E se? E se? Tanta coisa poderia ser diferente, não é? Tsc...

Não sei se posso dizer que te amo, afinal não te conheci muito bem, mas posso dizer que te admiro. Muito mesmo. Por ter sido um homem honesto, justo, trabalhador, honrado, por nunca ter deixado nos faltar nada, por ter sido um pai dedicado... Essas coisas.

Minha tia Fátima, sua irmã, diz que os sonhos são os espíritos vindo nos visitar. Sei lá se isso é verdade, mas a minha mãe sempre sonha com você. Sempre. E, se minha matemática não falha, semana passada foi a terceira vez, em dezessete anos, que você veio me visitar. Seja lá onde você estiver, seja lá isso verdade ou mentira, seja lá o que for, visite-me mais vezes. Uma pena não podermos trazer os mortos de volta à vida. Se esse desejo me fosse concedido, eu o traria sem pensar duas vezes.

Não sei que advérbio usar para me despedir, tudo me soa muito formal. Então que você, ou senhor, não sei como gostaria de ser tratado, esteja bem, onde quer que esteja. Um abraço.

Natan

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2 de ago. de 2010

Dia 10 - Alguém com quem você não conversa tanto quanto gostaria

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Uberaba, 02 de agosto de 2010

Querido Marcello,

Olha que audácia, hein? A gente não é tão próximo assim, mas quando eu li esse Day 10 na ideia original do projeto você foi a primeiríssima pessoa que me veio à cabeça, rs.

Como diria minha mãe, eu tenho simpatia gratuita por você. Desde as primeiras vezes em que eu fui à Visions of Atlantis, logo que eu baixei o Trinity e achei todas as músicas incrivelmente iguais, que também foi quando conheci o Gustavo, o Alex, o Yuri... Enfim, desde aquele tempo.

Aquele dia em que a gente tava conversando e você me contou a história do “ouço os peitos” eu ri demais. Fiquei sei lá, imaginando você com a cabeça nos peitos da muié na sala de cinema. Minha imaginação é podre, indeed.

Mas então, ó, acho você uma fofura. Uma gracinha mesmo. Inteligente, bom de prosa, educado, tem bom gosto, é bom moço, apesar de mentir pros pacientes e conta só até o 3 ao invés de contar até 10 na hora de colocar os ossos deles de volta no lugar... Essas coisas.

Quando você estiver fazendo sucesso internacional com o WATP (tá com eles ainda?) ou whoever, não esqueça da zamiga do interior do Brasil e vemprak dançar na Expozebu (NÃO FAÇA ISSO JAMAIS).

Manda 1bgs pra Fernanda!

Naytan

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Dia 9 - Alguém que você queria conhecer

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Uberaba, 02 de agosto de 2010

Querido André,

Ae! Hoje a carta é sua, rs. Na verdade eu iria te colocar pra carta 16, mas agora me deu um lampejo e eu resolvi te colocar aqui, especialmente porque tem inúmeras pessoas a quem eu poderia/deveria dedicar essa carta. Resolvi dedicar a você, porque sei lá, parece-me mais justo. Então let’s go.

Tem muita gente que não acredita em amizade virtual, como eu já disse por aqui. Acho que dizer que a nossa amizade, além de ser virtual, é fruto de um profile FAKE fica pior ainda, né? AHUAUAHAU. Pois é, mas aconteceu. A Internet une as pessoas de uma forma incrível, rs.

Você é uma pessoa complicada, como eu já te disse várias vezes. E vou continuar dizendo até o fim dos meus dias, assim como eu te digo várias outras coisas que, geralmente, não surtem efeito. Tem gente que diz que fake é só um personagem, mas eu discordo veementemente. Atrás do personagem existe uma pessoa e ela é exatamente o que aquela personagem é, com a exceção da imagem, obvious. Então posso dizer que, por mais que a gente se conheça basicamente pelo fake, você me dá muita mão de obra! É por isso que dizem que os opostos se atraem, né? Porque você e eu somos duas “coisas” bem diferentes e eu, sinceramente, não sei como eu te aguento u_u. Deve ser porque, como eu já disse, eu tenho um ímã que atrai gente com probleminha.

Dia 30 a gente fez um ano de amizade, né? Ownt *-* Há um ano eu aguento sua bipolaridade aguda, suas crises de emo, suas brigas com a Megan, suas sumidas sem explicação... Essas coisas. Aquela vez em que você desativou sem mais nem menos (ok, você teve seus motivos), lembra? Não se cheguei a comentar, mas o “OH MY GOD!” que eu disse aqui em frente a esse computador onde escrevo agora quando eu vi, depois de tantas semanas, um recado seu foi a interjeição mais gay que eu já exclamei em toda minha vida. Sério. No fundo, eu sabia, tinha certeza absoluta que você iria acabar voltando, mas quando acontece... é outra história, rs.

Enfim, já te escrevi tantos depoimentos que tudo que eu colocar aqui vai se tornar excessivamente repetitivo pra você. Então deixe pra lá, vale apenas lembrar que embora nossa relação seja tão restrita, que eu só te conheça através de um perfil falso, que nós nos falemos tão pouco, que você me dê tanto trabalho, e tantos outros ques, você é um amigo muito querido e eu te amo deveras. Até que a Megan nos separe AHUAHUAHAUH, brinks. Continuo esperando sua visita pra gente comer pão de queijo hein? u_u

Do seu BFF

Ryan

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