Uberaba, 23 de julho de 2010
Querido Milton,
Há quanto tempo a gente não se fala, hein? Muito. Você sumiu, não sei por que. Esses dias o Lauro comentou sobre você e eu pensei “Nossa, é mesmo! E o Milton?”. Depois do nosso “término” a gente não se falou muito, né? Depois da nossa quase-relação eu também fui um tanto áspero com você, desculpe-me, até, por isso, mas, convenhamos, você bem que mereceu.
Você não deveria estar exatamente nessa seção, mas vamos te colocar aqui, afinal, apesar dos pesares, você teve grande importância na minha vida, embora eu tenha pagado um preço um tanto alto por essa experiência. Mas não se preocupe, eu não guardo mágoas de você, de forma alguma. Guardo apenas um sentimento de inconformidade.
Até hoje eu me lembro do dia da nossa primeira conversa. Ainda antes, até hoje me lembro do dia em que você me adicionou no Orkut e eu pensei “Meu Deus, que coisa mais linda!”. Mas nunca, jamais, depois daquele dia, pensei que nós fôssemos “namorar”. Namoro virtual não conta, né? Ainda mais quando praticamente não existe a possibilidade de ambas as partes um dia se encontrarem. Mas se você faz tanta questão de falar que eu fui seu melhor namorado, então deixa assim.
Hoje, tanto tempo depois, olhando toda essa situação com olhos mais maduros, eu percebo o quanto eu fui bobo em relação a você. Por isso é que dizem que o amor é cego. Sábia expressão. Mas eu me dou um desconto. Naquela época eu só tinha treze anos, ainda não sabia muuuuito bom sobre relacionamentos e afins, vai. Se eu soubesse, acho que eu jamais teria aceitado sua “proposta”. Não que eu esteja desmerecendo seus sentimentos (se é que você os teve), mas é que eu não passaria por todo esse sofrimento novamente.
Eu me lembro bem, rs. Tudo aconteceu quando eu estava na sétima série e minha crise econômica estava querendo começar. A gente ficava conversando no MSN tentando pensar positivo, tentando pensar que ia dar tudo certo e que o nosso contato não seria cortado. Também me lembro de um dia em que a gente ficou quase uma hora e meia no telefone! Eu que liguei, ainda. Depois veio a conta e não sei como eu consegui disfarçar e sair sem culpa no cartório, hahaha. Culpa sua! Brincadeira.
Pois então, espero que você esteja bem. Não tenho mais notícias suas há muito tempo e até que estou com saudades. Apesar de todos os pesares (que não são poucos), você é uma boa pessoa e não fez nada por maldade. Só faltou um pouco de responsabilidade. Que você seja feliz e que encontre alguém que te ame tanto quanto eu te amei; e que te faça feliz tanto quanto você merece. Um abraço.
Natan
Nem tenho palavras -.-