13 de jul. de 2010

Dia 2 - Sua paixão

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(vou postar adiantado porque amanhã estarei viajando)
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Uberaba, 14 de julho de 2010

Querido Robson,

Nossa, não acredito que estou escrevendo isso pra você. Que vergonha. Pensei tanto, mas tanto em alguma outra pessoa a quem direcionar essa carta, mas não tem jeito. Acabou sendo você mesmo.

Não nem o que falar. Na verdade, não sei nem se você sabe do que eu senti (no passado) durante algum tempo por você. Na verdade (novamente), eu não tive oportunidade de te contar e, muito provavelmente, se tivesse tido, não te contaria. Primeiramente porque, naquela época, eu não estava plenamente seguro nem de mim mesmo, quiçá dos meus sentimentos. Mas, agora, algum tempo depois, eu vejo que o que senti por você foi realmente forte. Não sei dizer se era amor, se era paixão, ou whatever. Sei que tinha algo estranho.

Agora eu acho até graça, sabe? Tenho a impressão de que se tudo acontecesse de novo eu agiria da mesma maneira e, no futuro, iria achar engraçado novamente. Mas é engraçado. Engraçado ou bobo, estúpido, talvez até ridículo, eu sentar naquela arquibancada de concreto e esperar pacientemente que você passasse. Que você passasse simplesmente por NADA, só pra eu poder te ver. Ver e não dizer nada, só ver.

Esses dias eu estava pensando... Desde as primeiras vezes em que eu te vi, no primeiro ano, em 2007, eu pensei ”Nossa, que menino bonitinho!” e, no fundo, tinha algum sentimento a mais nesse comentário que eu guardava pra mim, mas que eu não sabia exatamente o que era. Só ano passado é que eu caí em mim e cheguei à conclusão de que alguma coisa aqui dentro me fazia sentir estranho quando eu te via. Uma pena (ou não) que eu tenha te visto tão poucas vezes. Deve ter sido melhor assim, senão talvez eu estivesse sofrendo à toa até hoje.

Ainda me lembro do dia em que surgiu o primeiro rumor de que você tinha saído da escola. Nossa, meu mundo caiu. Sério. Se bem que, né?, você praticamente não ia à aula, então não fazia muita diferença. Fiquei muito triste, muito mesmo. Mas dias, semanas depois você reaparece. Que alívio! Ainda me lembro de como meu coração acelerou quando eu te vi atravessar a quadra mais uma vez e o sorriso que brotou da minha boca. Pff, que coisa mais babaca.

Às vezes eu acho que a gente devia escolher quando e por quem se apaixonar, ou se interessar. Porque olha você. Porque eu iria me interessar por você? Nós somos como champanhe e água suja. Você não tem nada do que eu busco em um parceiro, nada, mas o carinho que eu sempre nutri por você é algo totalmente senseless. E eu fico pensando: será que você realmente nunca soube de nada? Nossa, eu te olhava TÃO descaradamente! Mas é que você é a coisinha mais encantadora que eu já vi. Seus olhos, seu sorriso, suas rugas de expressão quando você sorri... Acho que até esse seu jeito retardado, infantil de ser me chamava atenção. Era fofo, sei lá, vai entender.

Enfim, agora acho que é tarde demais. Acho que não vou mais te ver tão cedo, né? É assim mesmo, a vida é cheia de despedidas e perdas, faz parte. A gente aprende a lidar. Mas que você saiba, independente do nome que tenham meus sentimentos, você foi alguém especial. E ainda é, de certa forma. Um abraço.

Natan

1 comentários:

  • 28 de julho de 2010 às 19:12
    Anônimo says:

    Eu acompanhei a distância, né? Uma pena ele ter sumido assim tão prematuramente, quem sabe um dia... a vida nos surpreende sempre.

    delete

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